terça-feira, 25 de agosto de 2009

A revolução do microcrédito


(Postado por Geraldo Magela da Silva, Secretário Geral) – A gente trabalha o ano inteiro para ter dinheiro no bolso. Essa é uma verdade desde os tempos dos nossos bisavós. Mas nos tempos modernos, o que vale mesmo é ter crédito na praça. Ter crédito nos permite antecipar projetos, ajudar os filhos com os gastos na escola (que na verdade é um dos melhores investimentos que a família pode fazer) e até mesmo comprar material de construção mais em conta.
Ou seja, quando a gente tem crédito ganha mais respeito diante das lojas, supermercados, loja de material escolar, farmácias etc.

Mas só agora, muito recentemente, que o crédito está chegando ao povão, a nós trabalhadores. A iniciativa é do Banco do Brasil (BB) que adotou, recentemente, a oferta de microcrédito para os trabalhadores e trabalhadoras que tenham conta no banco. O limite do empréstimo varia entre R$ 1 mil e R$ 2 mil. O correntista não pode ter investimentos no BB superiores a R$ 3 mil. E os juros são de 0,99% ao mês. Outra boa novidade é que o empréstimo pode ser pago em períodos que variam de 24 meses (dois anos) a 48 meses (quatro anos).
De repente somos cidadãos e consumidores. Mas é importante a gente aprender a ter crédito. Para tanto é muito importante que gastemos direitinho a grana que conseguirmos valorizando o dinheiro que a gente toma emprestado. O que significa pechinchar, pedir desconto. Afinal, vamos pagar à vista.
Além disso, o mais sagrado, é nos preparar para honrar os compromissos. Passamos quase quinhentos anos sem ter acesso ao crédito. Agora que temos, graças às iniciativas do Banco do Brasil, temos que aprender a valorizar bem o dinheiro e pagar as prestações combinadas em dia.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Orgulho de ser trabalhador, consumidor e cidadão

(Postado por Roberto Alves da Silva, tesoureiro geral da Femaco) – As grandes empresas quando ficam sem rumo contratam pesquisas de mercado. Escolhem um grupo de pessoas e começam a fazer perguntas. A maioria das respostas, todo mundo já conhece.
Por exemplo, a mais recente pesquisa foi feita por uma empresa que se chama Troiano Consultoria de Marca junto com o Ibope Inteligência. E chegaram à seguinte conclusão: “no Brasil as empresas não sabem lidar com os consumidores das camadas populares, de baixa renda, cuja renda familiar varia entre um e três salários mínimos, e que representam mais do que 60% da população do País. As empresas pecam no relacionamento com esse consumidor de baixa renda por puro preconceito.”
Nem precisava de pesquisa para saber que a maioria das empresas trata mal o pessoal mais simples, os trabalhadores, os cidadãos e os consumidores brasileiros. Mas uma coisa que a pesquisa não descobriu, porque não perguntou, é que nós trabalhadores, cidadãos e consumidores brasileiros estamos mudando e ficando socialmente muito mais exigentes.
Nós já temos uma idéia clara dos nossos direitos. E sabemos os caminhos sociais para fazer valer o que queremos. Já aprendemos a valorizar nossos sindicatos, a argumentar com as chefias porque trocamos idéias com nossos amigos de trampo, de condução e vizinhos todos os dias, todas as horas.
Continuamos gente simples, sem orgulho besta. Mas cada vez mais cientes dos nossos direitos. E preparados para cobrar o que achamos certo e para punir, com o desprezo as empresas (ou os produtos destas empresas) que não nos tratam bem.
Vejam só nosso avanço social. Qual é a categoria profissional no Brasil que tem um deputado federal? Nós temos. É o companheiro Roberto Santiago, presidente da Femaco. Qual é a categoria profissional que tem peso numa central sindical? Nós somos representados em várias instâncias na União Geral dos Trabalhadores (UGT), a terceira maior central sindical do país. O nosso companheiro Moacyr Pereira, é o responsável pela secretaria de finanças e o companheioRoberto Santiago ocupa a vice-presidência.
Ou seja, somos trabalhadores da limpeza, ganhamos pouco contra a nossa vontade, pois adoraríamos ganhar muito mais, mas nos últimos anos crescemos muito socialmente. Temos voz e voto na Câmara dos Deputados. Temos participação nos acordos nacionais que envolvem os direitos dos trabalhadores, através dos nossos sindicatos, da Femaco, da Fenascon e da UGT.
E sabemos distinguir direitinho as empresas que nos tratam mal. Nestas espeluncas que apostam no preconceito a gente simplesmente não volta mais. E nosso dinheirinho é pouco, mas se somar a categoria inteira e todos os familiares, vizinhos e amigos, acumulamos uma montanha de dinheiro. Que cada vez mais faz diferença para as empresas que decidam nos tratar com o respeito que merecemos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Consumo de trabalhadores ajuda mercado interno

(Postado por André dos Santos, diretor-administrativo da Femaco) Prestem atenção nos noticiários nos jornais, na rádio e na televisão. Os consumidores de baixa renda, ou seja, os trabalhadores da nossa categoria estão, agora, na moda. Todo mundo fala bem da gente. Pois o dinheiro que a gente recebe no salário pode ser considerado pouco, mas quando juntamos a renda de nossa família (somando tudo o que ganhamos) nos tornamos consumidores. E o mais importante, agora todo mundo percebe que ajudamos o Brasil a manter em funcionamento o seu mercado interno.
É por isso que o jornal “O Estado de São Paulo” desta semana traz um título: “Grandes incorporadoras se adaptam a baixa renda”. Na reportagem vem explicado direitinho que existem já empresas construindo casas para consumidores populares. Que agora é possível comprar até carro com prestação mais barata, porque os juros estão diminuindo. E, o mais importante, que os consumidores de baixa renda foram os responsáveis pela manutenção do mercado interno e ajudou o Brasil a não sofrer tanto com a crise.
Sim, nós ajudamos a economia brasileira, ou seja, você, seu colega de trabalho, sua esposa, seu esposo e filhos, mais os avôs e avós, que ao longo dos anos conseguiram aumentar o dinheirinho que trazem para casa. Só para se ter uma idéia, os pisos salariais das nossas categorias, mais os ganhos do salário mínimo, que afetam diretamente as aposentadorias e pensões, faz uma diferença danada na hora do consumo.
Porque a gente gasta o que ganha. Não manda dinheiro para o estrangeiro, como os muito ricos. A gente cumpre com nossas obrigações e paga direitinho as prestações. Pois tem um nome a zelar e não quer ver o nome sujo. Toda essa diferença agora nos torna importantes. E o mais interessante, conseguimos mostrar para o governo, para os bancos e para todo mundo que nós somos consumidores e cidadãos.
Agora é só questão de nos respeitarem mais, nos garantirem mais salários. Porque gastar a favor do Brasil e das nossas famílias a gente sabe.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Crise pune mais a baixa renda e menor escolaridade

(Postado por Roberto Santiago, presidente da Femaco)
A Femaco, desde sua criação há 15 anos, organiza os trabalhadores da categoria de serviços, asseio e conservação, que pertencem à base da pirâmide social, para facilitar a empregabilidade e negociar níveis salariais que sejam minimamente compatíveis com a sobrevivência no Estado de São Paulo.
Chegou a crise financeira mundial, com conseqüências desastrosas para a classe trabalhadora no mundo inteiro e no Brasil. Os trabalhadores foram os primeiros a pagar pela crise, com o corte de novas vagas e com demissão continuada.
Mas os efeitos nefastos da crise no Brasil atingiram em cheio os trabalhadores da base da pirâmide social. Texto publicado hoje, 7 de agosto, na Folha de S. Paulo, apoiado em dados do Ministério do Trabalho, mostra que “os trabalhadores com pouca escolaridade e menor renda foram os mais afetados pela crise econômica mundial, perdendo espaço no mercado de trabalho formal no ano passado”.
Em 2008, o mercado formal de trabalho fechou vagas para quem tinha até a oitava série, segmento que registrou saldo negativo (diferença entre contratações e demissões) de 147.764 postos, afetando mais quem tinha apenas quatro anos de estudo. Os empregos criados no ano passado foram destinados a quem tinha oito anos ou mais, principalmente as pessoas que concluíram ensino médio e curso superior.
Chamamos a atenção para a gravidade da situação porque os trabalhadores e trabalhadoras da base da pirâmide social são também frágeis na busca de alternativas de sobrevivência fora do mercado formal. Além disso, como agentes sociais necessários à manutenção do tecido social, por serem vítimas da crise financeira mundial, devem (ou deveriam) ter a atenção dos órgãos públicos na busca de alternativas imediatas à sobrevivência.
O Brasil, a Femaco e os seus sindicatos filiados lutaram durante muitos anos para a preservação mínima da qualidade de vida da categoria. Conseguimos mobilizar nosso pessoal a favor dos avanços democráticos e, juntos, negociamos ao longo dos anos repetidos acordos salariais acima da inflação.
Agora, com as conseqüências nefastas da crise, foi dado o sinal da alerta. Não queremos ser as vítimas preferenciais. O Brasil não pode aceitar tal situação. E algo precisa ser feito com urgência para proteger a renda destas famílias e preservar o tecido social brasileiro. Com um investimento social, que vá além dos discursos oficiais, que temos certeza, custará muito menos do que foi gasto a fundo perdido para se recuperar banqueiros e especuladores, diretamente envolvidos na geração da atual crise mundial.